Mais uma vez estou aqui no blog, vou vomitar um pouco de texto, cuspir um pouco o que se passa em mim. Certa vez eu disse para uma pessoa que esse ano está se mostrando para mim como um ano de excessos, excesso de felicidade, excesso de tristeza, excesso de vontade, excesso de problemas, acho que nunca tive um ano tão turbulento (e sei que provavelmente a tendência não é "melhorar", pelo menos não agora)
A titulo de começo queria falar um pouco de saudade, essa também pode ser excessiva, acho que é talvez o excesso mais cruel, quando Freud falava que a modernidade trouxe o distanciamento ele estava certo, mas em partes, ele não tinha a ideia do que é algo como, por exemplo, a internet, algo que não conhece distancias, mas isso tudo tem um limite. Criamos afeto pelo longe, mas quando o temos perto e depois nos afastamos sentimos mais saudades do que se imagina.
A perspectiva do re-distanciamento dói, dilacera, e no meu caso trás a tona coisas que eu não devia cultivar, as neuroses, mas não quero enveredar-me pelos caminhos da psicanálise aqui, quero falar somente sobre o sentimento do excesso. O excesso de saudade é uma situação que raramente estamos acostumados, nos apegamos a qualquer coisa, nos seguramos nas lembranças, no que guardamos, nos presentes, nas mensagens, nos poucos minutos de ligação ou nas sms guardadas em uma pasta no seu celular.
Criamos uma especie de saudosismo por um passado não tão distante, e assim vamos lidando, é impossível fingir que não aconteceu e se deslocar de volta pra sua antiga normalidade, é insensato até, é se negar, mas é um pouco triste isso tudo, nem sempre serve de combustível para novos planos, as vezes deixa a pessoa um pouco estagnada em um pedaço de tempo que não volta.
O excesso tem essa face, os excessos me movem por um turbilhão de coisas e me fazem pensar que em pouco mais de seis meses eu vivi mais que minha vida toda, essa agitação, esse frisson, eu não quero voltar atrás, quero sentir essas emoções, quero levar isso até as ultimas consequências, dar certo ou errado não importa, o que importa é sentir.